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Cenário vem melhorando, mas ainda é um desafio para as metrópoles. Cada brasileiro produz quase 360 quilos de lixo por ano.
Enquanto cada brasileiro produz em média 920 gramas de lixo sólido
por dia, a quantidade de lixo reciclável que é recuperada, seja na
coleta seletiva seja por catadores, chega apenas a 2,8 kg por ano, por
habitante. “É um volume baixo em relação ao que é produzido porque, na
verdade, a coleta seletiva atinge um percentual só do volume
produzido”, afirmou, em entrevista à Agência Brasil, o secretário
nacional de Saneamento Ambiental, Leodegar Tiscoski.
Os dados são do Diagnóstico do Manejo de Resíduos Sólidos
Urbanos/2007, feito pelo Sistema Nacional de Informação sobre
Saneamento (SNIS), divulgado pelo Ministério das Cidades.
Apesar do baixo índice de coleta seletiva, o secretário disse que a
quantidade de lixo produzido pode ser considerada boa. “Só que nos
países desenvolvidos, esses volumes tendem a diminuir, uma vez que já
existe uma política de redução da produção de lixo, ou seja, tanto nos
domicílios quanto na indústria, o que é levado para a coleta é um
volume menor, porque há uma redução na produção e também há seleção
prévia desse lixo, do que não vai para o aterro, mas para a reciclagem”.
O diagnóstico do SNIS obteve informações de 247 municípios, que
concentram quase 50% da população brasileira. Nessas cidades, 90% dos
habitantes são atendidos pelo serviço de coleta de resíduos sólidos,
lixo produzido em casa e na indústria que não é enviado para o esgoto.
No entanto, a coleta seletiva formal, feita com caminhões adequados,
está presente em 55,9% dos municípios pesquisados, enquanto catadores
de lixo trabalham em 83% dos casos. Entre os principais materiais
coletados estão papel e papelão (44,3%), plásticos (27,6%) e metais
(15,3%).
Atualmente, segundo o secretário, existem no Brasil mais de 700 mil
catadores de lixo reciclável. Cerca de 53% dos catadores dos municípios
pesquisados estão ligados a alguma cooperativa. Em 160 cidades, “foram
destinados [pela secretaria] R$ 50 milhões para a construção de galpões
de catadores, um programa que visa a organizar essa classe”, para dar
condições de trabalho melhores nas cooperativas e associações, informou
Tiscoski.
Na opinião do secretário, são necessárias ações tanto para
conscientizar a população sobre a importância da separação do lixo em
casa quanto para instrumentalizar a coleta seletiva nos municípios. “De
nada adianta ter uma seleção no domicílio se é tudo jogado dentro de um
volume só, se não há tratamento; o transporte e a destinação têm de ser
separados”, acrescentou.
Números
Os dados mais recentes sobre reciclagem são de 2007. A taxa de
recuperação de papéis recicláveis evoluiu de 30,7%, em 1980, para mais
de 50%; a reciclagem de plásticos pós-consumo é da ordem de 17,5%,
sendo que na Grande São Paulo o índice é de 15,8% e, no Rio Grande do
Sul, de 27,6%; a reciclagem de embalagens PET cresceu de 16,25%, em
1994, para mais de 42% em 2006; a reciclagem das embalagens de vidro
cresceu de 42% para cerca de 50 entre 2001 e 2006; o Brasil é o líder
de reciclagem de latinhas de alumínio, entre os países onde não é
obrigatória por lei a reciclagem, tendo alcançado, em 2007, o índice de
92%; já o índice de reciclagem de latas de aço para bebidas evoluiu de
43% em 2001 para 75% em 2005 - este último é o dado mais confiável
disponível.
Fontes: Agência Brasil, Sistema Nacional de Informação sobre
Saneamento (SNIS) e Associação Brasileira de Empresas de Limpeza
Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe)
Planeta Inteligente- Blog do Terra
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